A PJMP

Identidade da PJMP

A experiência de alguns anos de PJ levou os jovens a sentirem necessidade de levar em conta o MEIO SOCIAL na própria organização. Os jovens de cada meio social têm interesses e anseios específicos.

 Também os jovens do meio popular têm condicionamentos, problemas e aspirações muito características de sua realidade social. Jesus preocupou-se em evangelizar a todos, mas não tratou a todos do mesmo jeito. Sua mensagem libertadora levava em conta a situação concreta dos grupos e pessoas às quais se dirigia. O Documento de Puebla coloca a exigência de criar pastorais especificas adaptadas à realidade que as pessoas vivem ( Puebla 1187 e 1109 ).

 A partir disso podemos compreender melhor o que é a PJMP. PJMP é uma articulação de jovens da classe explorada: estudantes, operários, comerciários, motoristas, biscateiros, empregados e desempregados.

 A PJMP é uma forma dos jovens empobrecidos da cidade e do campo serem Igreja e, ao mesmo tempo, se engajarem nos organismos intermediários para contribuírem com a transformação da sociedade à luz do projeto libertador de Jesus Cristo, na fidelidade à classe oprimida. Lutando com sua classe e refletindo sobre estas lutas à luz da palavra de Deus, os jovens se comprometem com a construção de uma sociedade nova onde não haja injustiças, nem exploração.

 A PJMP, como toda pastoral da juventude, está articulada na PASTORAL ORGÂNICA: é a pastoral da Igreja do Brasil entre os jovens do meio popular; é a experiência da Igreja do Brasil de rosto POPULAR E JOVEM.

Espiritualidade e Mística do Meio Popular

Espiritualidade e Mística do Meio Popular

“É graça divina começar bem. Graça maior persistir
na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca”
Dom Hélder Câmara

Na Pastoral da Juventude do Meio Popular, como em outros segmentos que tem como princípio base a Teologia da Libertação, a mística é uma forma de manifestação da espiritualidade, onde se apresentam vários elementos que a incorporam, tais como: religiosidade popular, natureza, corporeidade e afetividade.

Leonardo Boff bem lembra que a espiritualidade significa cultivar um lado do ser humano: seu espírito, pela meditação, pela interiorização, pelo encontro consigo mesmo com Deus.  A mística, então, se apresenta ai como o elemento fundamental para que essa espiritualidade nasça e se estabeleça para uma proposta coletiva, da partilha, da comunhão dos empobrecidos em busca da verdadeira lição de luta, de solidariedade, deixada por Jesus Cristo.  Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, fortalece ainda o que foi dito: pode-se viver a mística-espiritualidade em dois sentidos, a saber: a) de forma personalizada, consciente e livre, que abranja todas as dimensões do ser da pessoa humana (alma e corpo, pensamento e vontade, sexo e fantasia, palavra e ação, interioridade e comunicação, contemplação e luta, gratuidade e compromisso), pois cada pessoa a vive de forma única; b) de forma encarnada na história, hoje e aqui, na América Latina e nas comunidades, com suas dores e alegrias.

Um marco forte e presente na Mística do Meio Popular são os quatro elementos, que não são somente símbolos ou conceitos abstratos, mas refere-se às forças vitais da natureza, da vida, que se apresentam em toda a criação e que podem ser percebidas pelo sentido físico, na manifestação da fé.  O fogo que nos aquece, que nos ilumina, a água que mata a nossa sede, nos purifica, o ar, que enche nossos pulmões e faz com que gritemos, com que busquemos vida e a terra que nos traz o alimento, o pão.  Pensar em mística é se aproximar dos elementos de Deus, que já estão aqui perto de nós e nesse aproximar-se não há como negar as mazelas, da corrupção, da miséria, dos homicídios da nossa realialidade.  A mística do meio popular é carregada de uma espiritualidade da mudança, da reinvidicação, que busca a não alienação dos e das jovens comprometidos e não comprometidos com as lutas populares.

Quando no hino da PJMP dizemos que “pelos campos, cidades e vilas, no trabalho ou então desempregados, nas caatingas, nas fábricas e nas filas” queremos dizer que a nossa espiritualidade permanece e persiste com a nossa mística em todos esses cantos, é dizer que na fartura ou na fome não nos renderemos, é a lição do ver-julgar-agir-celebrar-festejar é o compromisso nosso com Jesus Cristo, com o Cristo que não morreu de gripe, de tuberculose, mas que morreu defendendo seus princípios e denunciando o sistema opressor.

Amém, Axé, Awerê, Aleluia, Oxente!

Autor: André Fidelis – PJMP Recife PE
Contato: andre_fidelis22@yahoo.com.br   

 

HISTÓRIA DA PJMP

 

Íris Maria de Oliveira

Pe. Antônio Murilo de Paiva

 

A PJMP “é a experiência da Igreja de rosto popular e jovem. É a reconstrução do rosto de Cristo entre os jovens mais sofridos... A PJMP é solidária na dor, firme na esperança, alegre em suas pequenas mas progressivas conquistas.” Dom Sinésio Bohn (in: PJMP: Semente do Novo na Luta do Povo)

 

A PJMP nasceu em 1978 no Recife (PE), carregando na história do seu surgimento as sementes jogadas pela Juventude Operária Católica destruída pela ditadura com o golpe militar de 1964. Um acontecimento marcante do seu nascimento foi o encontro realizado em 09 de julho de 1978, reunindo animadores dos grupos de jovens do meio popular do Recife, remanescentes da JOC, no qual decidiram criar um movimento de jovens do meio popular.

Vale lembrar que os desejos, sonhos e formas de atuação na realidade vivida dos jovens reunidos neste encontro não é algo isolado. O final dos anos 70 e os anos 80 no Brasil foi um período marcado por grandes movimentos de massa e pelo ressurgimento da sociedade civil, sobretudo das camadas populares, no cenário político nacional.

Em nível eclesial, este é também o período em que a Igreja Católica assumiu a defesa dos direitos humanos e tornou-se uma voz profética contra a ditadura e o sistema capitalista. Um acontecimento marcante em torno disso foi a realização da Conferência do Episcopado Latino Americano em Puebla, em janeiro de 1979, da qual resulta um documento orientador desse posicionamento da Igreja Católica latino-americana. E, no que diz respeito à juventude, não podemos esquecer que foi em Puebla que Dom Hélder Câmara apresentou a proposição, aprovada nesta conferência, de uma pastoral de juventude por meio social. Além dessa proposição de Dom Hélder, Puebla recomenda ainda que a Pastoral da Juventude atenda o aprofundamento e crescimento dos jovens na fé; possua uma metodologia transformadora e oriente a opção vocacional (Puebla 1187).

Assim, o contexto inspirador para o nascimento da PJMP foi, por um lado, a realidade concreta dos jovens e o ressurgimento das lutas sociais e políticas que acontecia no Brasil, e, por outro, o contexto eclesial da Igreja Latino-Americana e do Regional NE II, que sob a orientação e o pastoreio de Dom Hélder Câmara, construía um modelo de organização pastoral no qual o pobre era sujeito histórico de libertação. A PJMP nasceu bebendo no seio desta Igreja e assumiu a visão de que a transformação da realidade é obra dos oprimidos e de todas as pessoas de boa vontade que se comprometem com as lutas de libertação.

Ela compreendeu, desde o seu nascimento, que uma pastoral de jovens não pode tratá-lo genericamente. Neste sentido, nasceu e se consolidou sendo um espaço onde os jovens empobrecidos tomam consciência da sua realidade e nela atuam para transformá-la.

Estas idéias, que são o fundamento da proposta de pastoral da juventude da PJMP, têm sido ao longo da sua história uma ousadia e um atrevimento evangélico, à medida que traz para dentro da Igreja uma discussão que, se hoje já não assusta e até pode ser tratada sem tabu, na década de 70 era inconcebível: uma pastoral por classe social. Por isso, sua relação com alguns setores da comunidade eclesial, às vezes, foi marcada pelo conflito.

O objetivo dos que ousaram fazer nascer a PJMP, era, naquele momento, suscitar entre os jovens do meio popular, uma vivência da fé a partir da sua condição social e de classe. Que a juventude empobrecida se evangelize! que os jovens do meio popular se tornem sujeitos de sua própria libertação! É o grito da PJMP no seu nascimento e tem sido o seu maior desafio (Ver: PJMP. Do meio popular, um canto jovem. s/d, mimeog. p. 48). A semente lançada no Recife, logo se espalhou por todo o nordeste e para o país, em 1979 acontecia o primeiro encontro nacional.

Este objetivo vem sendo aprofundado, rediscutido ao longo da nossa caminhada, a fim de que nossa ação pastoral possa acompanhar a dinâmica da realidade em que vivemos e atuamos, em todas as suas dimensões. Em 1994, após ampla discussão, a PJMP definiu em assembléia nacional o seguinte objetivo: “vivenciar e testemunhar a proposta do Reino de Deus estando presente na vida, na luta e nos sonhos dos jovens empobrecidos, visando evangelizar, numa prática libertadora, contribuindo na transformação da pessoa humana e da sociedade”.

 

O NASCIMENTO DA PJMP

 

Com impressão política advindo da ditadura militar, após o golpe de 64, os movimentos da Ação Católica Especializada se desarticularam. No caso da JOC, apesar de se ter realizado seu "enterro simbólico", os militantes remanescentes continuaram a fazer um trabalho de base com os jovens do meio popular em algumas cidades do Nordeste. Este trabalho visava suscitar uma vivência de fé, dentro e a partir da condição de classe do próprio jovem.

Isto resultou no surgimento de muitos grupos de jovens do meio popular e começou-se uma articulação e organização.

Em Julho de 1978, acontece o 1º Encontro de Animadores dos Jovens do Meio Popular do grande Recife. Este encontro tinha o objetivo de proporcionar entrosamento, visando o aprofundamento de pontos comuns que pudessem ajudar na caminhada.

Dentre sins principais conclusões, o encontro apontou para:

- Criação de um movimento que articule e dê unidade aos grupos;

- aplicação de uma metodologia de acompanhamento visando um compromisso transformador do jovem com seu meio;

- Preocupação com um conteúdo de evangelização que dê unidade entre a história da humanidade e a história da salvação."

Este encontro tornou-se um marco importante no início de urna pastoral dos jovens do meio popular. A semente da PJMP havia sido lançada em Recife.

A nível de Nordeste, os encontros inter-regionais de animadores de pastoral de juventude, desde seu 1 Encontro (jan./78 - João Pessoa), questionavam a existência da Pastoral da Juventude Genérica ou Geral, e se encaminhavam para a criação de uma Pastoral da Juventude que levasse em conta o meio especifico, o que se reafirma no II Encontro, em janeiro de 1979.

É no III Encontro Inter-Regional de Animadores de Pastoral de Juventude do Nordeste, ocorrido em fevereiro de 1980, em Olinda, que se aprofunda especificamente a importância de se levar em consideração o meio social na organização da Pastoral da Juventude, isto é, organizar os grupos de jovens levando em conta os meios sociais.

Dom Marcelo Carvalheira, na apresentação do relatório desse III Encontro, destaca:

“Precisamos levar até às últimas conseqüências a distinção dos meios, para que passe de ama Pastoral da Juventude Genérica, vaga e indefinida, para uma Pastoral da Juventude Específico. de cada meio social, definida pelas características peculiares de cada meio e marcada pela ótica do oprimido."

 

ORGANIZAÇÃO A NÍVEL NACIONAL

 

Simultaneamente ao que acontecia em nível de Nordeste, noutros lugares do país, animadores que trabalhavam junto aos jovens populares, preocupados com o trabalho pastoral e impulsionados pela necessidade de trocar experiências, passaram a participar dos encontros inter-regionais da pastoral da juventude do Nordeste. Desses contatos surgiu urna tentativa de articulação em nível nacional.

Em julho de 1979, acontece em Olinda- PE, o 1º Encontro Nacional de Animadores Jovens/Adultos do Meio popular. Este encontro é considerado como o 1º ENCONTRO NACIONAL DA PJMP. Neste encontro cogita-se a criação de um movimento nacional de jovens do meio popular, sem vínculo com a hierarquia da Igreja, porém, contando com seu apoio.

Em julho de 1980, acontece, em São Paulo, o II ENCONTRO. A proposta de formação de um movimento não era consenso. Os que se colocavam contra, defendiam uma pastoral com uma linha e prática definidas a partir dos meios sociais. Afirmavam não ser necessária a criação de um movimento para garantir a formação da consciência de classe dos jovens do meio popular e seu engajamento nas lutas populares. O II Encontro opta, então, pelo caráter pastoral da organização.

Em julho de 1982, em Juazeiro- BA, acontece o III ENCONTRO NACIONAL DA "PASTORAL DA JUVENTUDE DO MEIO POPULAR".

Depois do encontro de Juazeiro, há uma desarticulação nacional. A PJMP só retoma a articulação nacional em 1984 por ocasião do V Encontro Nacional de PJ. Após este encontro aconteceu uma reunião com os regionais que continuavam vivenciando a experiência do trabalho com os jovens do meio popular.

Esta reunião é o marco fundamental da retomada da articulação nacional e é considerada como o IV ENCONTRO NACIONAL DA PJMP.

Em 1985, acontece o V ENCONTRO NACIONAL DA PJMP onde são dados alguns passos mais profundos.

Estavam presentes os Regionais Extremo-Oeste, Leste II, Sul IV e Nordeste I,II e III. Foi um momento de por os pés no chão e ver qual a realidade concreta da PJMP a nível nacional: as dificuldades, os desafios, as diferentes formas de conceber a proposta e os passos a serem dados para a continuidade da articulação.

As principais decisões deste Encontro foram as seguintes:

o   A formação de uma Comissão Nacional provisória da PJMP, escolhida na própria reunião. Esta comissão recebeu a função de encaminhar uma consulta aos Regionais e Pastorais afins sobre a realização de Encontro Nacional da PJMP, com o objetivo de articular as experiências que tinham uma proposta de Pastoral da Juventude da classe oprimida.

o   A escolha de um secretário, para ser o ponto de referência nas comunicações.

o   O encaminhamento de um subsidio com a história da PJMP, tarefa assumida pelo Nordeste.

O VI ENCONTRO aconteceu no período de 11 a 18 de dezembro de 1987, em Brasília. O primeiro passo na preparação deste Encontro foi a retomada histórica da caminhada da PJMP nos regionais articulados nacionalmente.

É uma história construída com muito sofrimento, carinho e, acima de tudo, com a certeza de estar contribuindo na libertação do homem todo e de todos os homens. Errando e acertando, repensando e avaliando a caminhada, a PJMP vai sendo construída por todos aqueles que acreditam e assumem um trabalho pastoral a partir do meio social.

Os assuntos tratados no encontro foram:

o   Identidade da Pastoral da Juventude do Meio Popular;

o   Metodologia no processo de iniciação e militância;

o   Formação, organização e espiritualidade da PJMP.

O VI ENCONTRO é considerado como ponto de chegada de uma caminhada de 10 anos de PJMP e como ponto de partida. É um marco referencial que ajuda a contestar e enriquecer a prática pastoral.

A PJMP, unida às outras pastorais e aos movimentos que progridem na evangelização e libertação, quer participar na grande caminhada da Igreja Latino-americana, sendo "semente do novo na Luta do povo".

Neste Encontro participou Ricardo Figueiredo, então assessor do Regional Leste II e da Coordenação da PJMP de Carapina-ES.

Aconteceu de 09 a 13 de janeiro de 1990, em Salvador-BA, o VII ENCONTRO NACIONAL DA PJMP. O tema do encontro foi "a Eclesialidade e Militância da PJMP", tentando discutir os questionamentos e desafios que se apresentam durante a caminhada.

Apesar de toda a problemática da relação do jovem com a estrutura hierárquica, o encontro foi marcante pela animação e pelo compromisso de buscar, junto com outras pastorais populares, a maneira de construir uma proposta de Igreja a partir de Jesus Cristo, comprometida na luta por uma sociedade alternativa.

Representando a Arquidiocese de Vitória, esteve presente Givaldo V. Silva, assessor leigo da Coordenação de Carapina-ES.

 

CONHECENDO A HISTÓRIA

 

Para conhecermos a história da Pastoral da Juventude é necessário fazermos um levantamento dos movimentos anteriores que lhe deram origem. Dentre estes, os mais importantes foram os da Ação Católica. No período de 1930 a 1940, notamos uma presença significativa da Igreja no meio da juventude, sob o signo da Ação Católica. Até então, sobressaiam-se as Congregações Marianas, as Associações Cristãs de Moças, Filhos de Maria, Legionários de Maria, etc.

A Ação Católica marcou a Igreja em todo o mundo por quatro décadas, de 1930 a fins de 1960. Originalmente como forma de aglutinar os leigos católicos, para campanhas contra o materialismo consumista do capitalismo, contra o materialismo ateu do comunismo e contra os totalitarismos de direita (Nazismo, Fascismo) aos poucos transformou-se no grande veículo de participação dos leigos na vida intra-eclesial ( dentro da Igreja ).

A história da Ação Católica pode ser dividida em dois grandes períodos:

Ação Católica Geral ; e

Ação Católica Especializada.

 

AÇÃO CATÓLICA GERAL

 

A Ação Católica Geral, tem inicio com o movimento Juventude Feminina Católica ( JFC ), em 1932. A partir da experiência da JFC, articulam-se a Juventude Católica Brasileira (para rapazes), os Homens da Ação Católica ( HAC ) e a Liga Feminina da Ação Católica ( LFAC ) que agrupados e regidos por um estatuto, aprovado em 1935, formavam a Ação Católica Brasileira (ACB).

Este primeiro momento vai até o início dos anos 50, caracterizado por seu aspecto apostólico / missionário dando aprofundamento à dimensão social da fé.

 

AÇÃO CATÓLICA ESPECIALIZADA

 

A partir de 1950, começa a fase de especialização do movimento que, anteriormente baseado na distinção do sexo e idade, passa a assumir outro padrão, tendo como referencial o espaço de atuação. Como conseqüência deste processo surgem os movimentos intitulados:

  • Juventude Agrária Católica ( JAC );
  • Juventude Estudantil Católica ( JEC );
  • Juventude Independente Católica ( JIC );
  • Juventude Operária Católica ( JOC );
  • Juventude Universitária Católica ( JUC ).

Nesse momento, que vai até o fim dos anos 60, a Ação Católica Especializada e especialmente a JOC, JEC e JUC vivem a influência muito grande das idéias do Cônego José Cardijn e do filósofo Jacques Harítain Cardijn desenvolveu, a partir da sua experiência com a JOC da Bélgica, o método VER-JULGAR-AGIR. Jacques Maritain, investigando a "ação do cristão ao longo do tempo", elaborou o conceito de "Ideal Histórico Concreto" que mostrava a possibilidade da concretização do Reino de Deus na História. A gradual politização dos movimentos da Ação Católica provoca, mais acentuadamente em 1964 e 1969, a ação direta das forças de repressão no esforço de desarticulação e esfacelamento destes.

Atribui-se a Ação Católica, e em especial e JUC, a experiência histórica que criou as bases para o desenvolvimento teórico da Teologia da Libertação, da Opção Preferencial pelos Pobres e da concepção da Igreja como "povo organizado a caminho da libertação” (Obs.: A JOC sobrevive até hoje.)

 

OS MOVIMENTOS DE ENCONTRO

 

A desarticulação dos movimentos da Ação Católica provocou um recuo significativo na trajetória da PJ. No período que vai de 1969 a 1974, nasceram e difundiram-se com grande rapidez inúmeros movimentos de jovens. Estes movimentos, baseados nos Cursilhos de Cristandade, usavam uma metodologia de impacto emocional, colocavam como a raiz dos problemas sociais: o egoísmo pessoal e não despertavam no jovem uma consciência critica diante do problema social. Estes aconteceram numa época de fechamento político. Foi o único tipo de Pastoral da Juventude possível frente à conjuntura política da época.

 

A PASTORAL DA JUVENTUDE ORGÂNICA

 

A partir da segunda metade da década de 70, a PJ passa a ser o novo instrumento teórico em substituição aos movimentos de encontro de cunho nacional e local. Esta Pastoral surge a partir da necessidade sentida pela coordenação dos grupos paroquiais que começam a se organizar por Diocese, Regional e a nível Nacional, tendo em vista os desafios que a juventude apresenta para a Pastoral da Igreja.

 

A PASTORAL DA JUVENTUDE POR MEIOS ESPECÍFICOS

 

Uma questão que perpassou e perpassa a caminhada da juventude da Igreja no Brasil é a questão da organização dos jovens por meios específicos. Se no tempo da Ação Católica esta questão foi, por assim dizer, imposta por decisões vindas de fora, na Pastoral da Juventude do Brasil, foi uma questão descoberta aos poucos, com base na troca de experiências e na discussão sobre o melhor da juventude tornar-se uma força transformadora e iria pastoral que levasse realmente ao engajamento. Foram surgindo, por isso, aos poucos, as diferentes pastorais especificas de juventude. Embora levadas por perspectivas um tanto diferentes, as duas primeiras que se firmaram foi a PASTORAL DA JUVENTUDE DO MEIO POPULAR (no Nordeste) e a PASTORAL UNIVERSITÁRIA. Levadas por este processo de reflexão e organização, surgiram depois a PASTORAL DA JUVENTUDE ESTUDANTIL e a PASTORAL DA JUVENTUDE RURAL.            

                                                     

 

 

 

 

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